domingo, 4 de junho de 2023

[4] Apeirokalia

 Olavo menciona o termo neste famoso artigo: https://olavodecarvalho.org/apeirokalia-2/

Esse artigo, por sua vez, é uma ligeira adaptação do artigo "Mensagem aos Sobreviventes" do Imbecil Coletivo II.

Definição do termo usada pelo Olavo no artigo:
Os gregos chamavam-no apeirokalia. Quer dizer simplesmente “falta de experiência das coisas mais belas”. Sob esse termo, entendia-se que o indivíduo que fosse privado, durante as etapas decisivas de sua formação, de certas experiências interiores que despertassem nele a ânsia do belo, do bem e do verdadeiro, jamais poderia compreender as conversações dos sábios, por mais que se adestrasse nas ciências, nas letras e na retórica. Platão diria que esse homem é o prisioneiro da caverna. Aristóteles, em linguagem mais técnica, dizia que os ritos não têm por finalidade transmitir aos homens um ensinamento definido, mas deixar em suas almas uma profunda impressão.

Monir Nasser, que trabalhou junto com o Olavo enqunato formador cultural, parece também ter usado o termo com a mesma acepção. Não sei a fonte, mas, segundo afirmaram em comentário neste vídeo (https://m.youtube.com/shorts/RPMV_GYAyng Canal Filosoficamente Incorreto), ele diz:
Os gregos identificaram uma doença chamada apeirokalia. Significa ‘abstenção de coisas belas’. Quando você não convive com a beleza, você pega apeirokalia. Se você deseja produzir a compreensão da verdadeira cultura, rodeie-se do que é belo. Uma bela horta, um belo jardim. O brasileiro precisa se acostumar a conviver com os padrões elevados. Uma das causas da nossa inviabilidade civilizatória é que nós desistimos de nos rodear de estímulos belos. E isso é apeirokalia. A recuperação do senso de estética deve ser uma das nossas prioridades.

Fontes:
Se escreve como απειροκαλία, tem em dicionário grego regular, e Olavo provavelmente descobriu através deste texto:
“What Is Liberal Education?” by Leo Strauss, Liberalism Ancient and Modern, Chicago: University of Chicago Press, [1959] 1968, p. 8.

Trecho do texto: "They called it apeirokalia, lack of experience in things beautiful. Liberal education supplies us with experience in things beautiful"

Texto integral do Leo Strauss, em inglês
Fonte que menciona os usos clássicos (Platão e Aristóteles) da palavra



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Um palpite, mas aí é só palpite, é que a ideia dessa experiência central que abre a alma do sujeito para "a conversação dos sábios" seja:
I) o que o poeta Manuel Bandeira chama de Alumbramento;
II) a experiência que Louis Lavelle menciona na aula 4 do COF;
III) a chave para entender o que Sônia gerou em Raskolnikov que o transformou definitivamente, no romance Crime e Castigo de Dostoiévski;
IV) uma versão trágica seria esse mesmo sentimento, incompreendido ao longo da vida, gerado por Verkhovenki pai em Stavroguin no 2º capítulo da 1ª parte de Os Demônios, também de Dostoiévski

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